Viver Brincando

Viver brincando… 

© Márcia Sanchez Luz

 

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Img: Márcia Sanchez Luz

Sublime, preciosa, delicada
és tu, minha Maria Eduarda.
Sorrio a cada dia em que te vejo
e sempre que de ti recebo um beijo.

A vida ganhou forma diferente
como se fosses tu meu afluente
enchendo de razões minha existência
minha razão de ser, doce cadência.

Lá vamos nós brincar “deita garota! ”
e lambuzarmo-nos de cremes vários,
zombando de nós mesmas, que alegria!

Também nos divertimos com beijocas
(nosso cenário é simplesmente hilário!)
Quem chega ri demais dessa folia…

Alzheimer

© Márcia Sanchez Luz

Em memória de minha mãe, Nilze, que ontem fez sua passagem e nos deixa cheios de saudades…

 





“Não vou sentir saudade.
Vou guardar você no meu coração.”

Francisco Sanchez








O olhar distante, a fala deprimida,

uma canção antiga na vitrola,
a busca inútil no vazio da vida
que traz no vento a dor que desconsola.

Chegando a noite veste a camisola

e nutre a espera, como se fingida
fosse em querer lembrar porque se isola
de um mundo onde a memória é já perdida.

De manhã cedo os pássaros deslizam

por sobre seu jardim para avisar
que o dia que chegou é na verdade

um tempo onde a palavra é só saudade

de um astro que não pode mais brilhar.
Recordações agora se anarquizam…

 

(Do livro “Quero-te ao som do silêncio!“)

Semente inteira de mim

©Márcia Sanchez Luz

 
(Img: Márcia Sanchez Luz)
 
Sou como uma flor que abraça
o vento que sopra do sul…
A luz que paira transporta
ilusões de um bem-fazer sem fim.
Semente inteira de mim
a muda prepara, serena
o broto que abarca e completa
na carência em compleição
meu silêncio mais profundo.
Vou como num voo inquieto
meu travesseiro buscar
na sombra que emana presença
de um coração que se vai.
E como a flor, vou partir
e a brisa ao norte volver
levando semente fagueira
do amor que um dia plantei.
 

Márcia Sanchez Luz em "EisFluências"

Revista eisFluênciaspublica Márcia Sanchez Luz, numa iniciativa de Marco Bastos, um dos colaboradores da mesma

 


A revista  está registrada no ISSN e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro-Brasil)
ISSN 2177-5761

Direção:  Victor Jerónimo (Portugal/Brasil)

Direção Cultural: Carmo Vasconcelos (Portugal)
Responsável pela Redação: Mercedes Pordeus (Brasil)

Bertold Brecht

Poema da rosa

Bertold Brecht
Tradução de Augusto Boal

 



Há uma rosa linda
No meio do meu jardim
Dessa rosa cuida eu
Quem cuidará de mim?
De manhã desabrochou
À tarde foi escolhida
Pra de noite ser levada
De presente a minha amiga

Feliz de quem possui
Uma rosa em seu jardim
A minha amiga com certeza
Pensa agora só em mim
Quando sopra o vento frio
E o inverno gela o jardim
Eu tenho calor em casa
E fico quietinho assim

Feliz de quem tem o seu teto
Pra ajudar a sua amiga
A fugir do vento ruim
Que deixa gelado o jardim

(Poema extraído de Blocos Online)

Celebrando o nascimento de Mario Quintana

(Mario Quintana – 30.07.1906 – 05.05.1994)

Os poemas abaixo são de Mario Quintana

AMOR

Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo.

BILHETE

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu, agora – que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

O LUAR

O luar,
é a luz do Sol que está sonhando
O tempo não pára!
A saudade é que faz as coisas pararem no tempo…
…os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar…
A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem…

TROVA

Coração que bate-bate…
Antes deixes de bater!
Só num relógio é que as horas
Vão passando sem sofrer.